10/06/2006

Cairo? Traga coragem, você vai precisar!

Nosso hotel era tão perto das pirâmides que decidimos ir caminhando pelas ruas. Já na saída do hotel atravessamos uma avenida grande, bem movimentada e percebemos que em cada esquina tinha uma trincheira improvisada, tipo uma “barricada” com dois ou três policiais vestidos de branco e com armas na mão e eu não sei o porquê, mas é bem estranho.

Em menos de 10 minutos de pernada já dava pra ver um movimento grande de pessoas e placas sinalizando a entrada para as pirâmides. Ainda não entrava isso na minha cabeça de ver as pirâmides assim tão perto da loucura da cidade.




Como chegamos tarde, a bilheteira já tinha encerrado as vendas de bilhetes e sobrou a opção de ver as preciosas no dia seguinte.

Nesse ínterim, vários egípcios se aproximavam pra nos convidar para os inúmeros “passeios turísticos” que eles tinham para oferecer ali na redondeza. Um deles nos pareceu muito simpático, falava inglês e nos prometeu um passeio que na teoria parecia ser irresistível.

Ponto para egípcio Abdu que nos convenceu e lá fomos nós de olhos fechados para o desconhecido. Haja coragem pra viajar nesses cantos do mundo...

Montamos em dois cavalos bem judiados e fomos seguindo o nosso guia por uma vila adentro. O que vocês não sabem e eu preciso compartilhar a aflição é que eu nunca tinha montado num cavalo na minha vida. O caldeirão de emoções estava em borbulhas dentro de mim.

A pobreza era o retrato por onde passávamos e o visual muito parecido com qualquer favela do Brasil.


As pessoas olhavam, acenavam, as crianças sorriam e lá fomos nós por todo esse vilarejo. Mais uns 500 metros, avistamos uma barricada com dois guardas. Papo vai papo vem (entre os guardas e Abdu) e veio a  bomba: “precisamos dar dinheiro pra eles pra poder passar por aqui”. Eu e Daniel nos olhamos, negociamos, pagamos algo perto de 5 dólares e continuamos a trajetória.


Depois da “blitz ” começamos a cavalgar em dunas de areias e aos poucos o visual e o clima foi se modificando...já dava quase pra ouvir o silêncio.

Começamos a subir uma duna bem grande, cavalgamos mais um pouco e uma sensação bem tranqüila e feliz começou a tomar conta de mim. O cenário foi se transformando devagar aos meus olhos...primeiro uma pirâmide longe do lado direito, meio que quebradinha no seu cume, mas única, imponente. Mais um pouco de cavalgada e lá estava o trio, ainda de longe mas não tão longe que você não pudesse chegar até lá.


Nesse trajeto que levou uma meia hora do “avistar as pirâmides até tocar nas piramides” digo que foi uma das mais fortes emoções que eu já senti em uma viagem. Uma sensação única, bem surreal, como se você estivesse vivendo o fenômeno óptico da miragem ou um sonho mesmo. Inesquecível.

Durante o trajeto tivemos um outro sentido aguçado: ouvir pela primeira vez a reza cantada que os muçulmanos fazem diariamente virados para a Meca.

Chegamos bem próximos das pirâmides e o melhor de tudo: não tinha ninguém. Aliás, tinha só um senhor bem velhinho mesmo (que devia ser o guardador das pirâmides) que me levou pra dentro de uma delas e ficou sorrindo e me mostrando uma parede.


Essa foto abaixo era a casinha que o senhorzinho se protegia do sol...


Na verdade, o que mais me atrai numa viagem é exatamente quando acontece esses momentos de olhares, essas conversas que não precisam verbalizações.



Por ali ficamos até o pôr-do-sol e depois é claro que fomos praticamente obrigados a conhecer o tal “museu do papiro” que na verdade era o fundo da casa de uma mulher. Incrível como cansa essa insistência que eles tem em vender algo pra você.

Voltamos dois dias depois nas pirâmides, pelo lado onde os turistas entram normalmente e o ataque dos egipícios pedindo dinheiro é ainda mais triste. Por isso, se prepare, leve pequenas notas de dinheiro espalhada pelo bolso para "distribuir" e também bastante paciência porque você vai precisar.

Nosso guia nesse passeio foi legal também mas ele judiava tanto daquele camelo que eu já não achava mais graça nessa aventura.




Enfim, depois desse ataque dos locais atrás do seu dinheiro, você só pensa em se refugiar no hotel e se preparar para mais um dia de pernada pelo Cairo, a cidade onde as casas não tem telhados.

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