21/12/2012

Lençóis Maranhenses - aventura por uma imensidão de paz - Parte III

Parte III - rio Preguiça e Atins

De manhã cedinho, depois de um café da manhã reforçado e uma despedida com desejos de retornar a Santo Amaro um dia, pegamos a estrada às nove da manhã e depois de duas horas na estrada de areia, chegamos no pequeno povoado de Sangue e de lá seguimos por mais 40 minutos pela estrada asfaltada MA 402 até chegar em Barreirinhas a porta de entrada mais conhecida e fácil para se chegar a uma parte do Lençóis.



Barreirinhas é uma pequena cidade com 55 mil habitantes onde provavelmente mais da metade da população vive do turismo local de alguma maneira. São vários hotéis beirando o rio Preguiça e de onde saem lanchas e barcos que navegam por um visual incrível.



Aliás, um dos pontos fortes do turismo aqui em Barreirinhas é exatamente esse: escolher uma lancha, ou mesmo embarcar nos barcos de linha dos nativos que saem todos da praça central da cidade e ir descendo o rio Preguiça até chegar em Atins, último povoado do parque e onde o rio desemboca no mar do Atlântico.

Pelo caminho aos poucos você percebe que não poderia ter um nome mais adequado para esse rio tão bonito, calmo e com uma vegetação tão exuberante. E as árvores são muito expressivas! É incrível porque as que beiram o rio são altíssimas e suas raízes são enormes e sempre em direção a água do rio, como se elas estivessem loucas de sede. É um espetáculo da natureza.


Aqui, se você tiver sorte com o barqueiro pode rolar uma aula de campo sobre a vegetação local: você vai dar de cara com lindas palmeiras, o buriti, a carnaúba, a jussara (de onde se extrae o açaí), entre muitas outras árvores.

Nós usamos o serviço da Alternativa Trip, uma pequena empresa que tem uma sala comercial bem na frente do rio Preguiça e que nos atenderam bem. Se você quiser saber sobre preços e reservar uma lancha é só falar com o Marcílio, simpático dono do local no (98) 3349-1360 ou 8865-0905.

O rio Preguiça é largo e em alguns pontos chega a ter 100 metros de uma margem a outra. Uma paz toma conta do passeio e é fácil entrar no clima.


A primeira parada é o povoado de Vassouras. Ali a população vive da pesca e de vender coco gelado na barraquinha à beira do rio. Aqui também você pode alimentar os macacos locais, mas eu aconselho ter muito cuidado (principalmente se você estiver com crianças) porque eles são um tanto agressivos. Se  der bobeira eles te atacam para arrancar a banana da sua mão.


A segunda parada é a vila de pescadores e o mais antigo povoado ribeirinho chamado Mandacarú e onde abriga o farol Preguiça que é atração principal do local. Lá do alto dos 35 metros de altura e depois de 160 degraus de escadaria em forma de caracol o visual é único: vista deslumbrante dos pequenos lençóis, de grande parte do rio e a grande faixa de areia do mar quase encostando no rio Preguiça.

 

Vale a pena o passeio e para mim foi o povoado mais simpático. Pelo pequeno caminho que se faz do barco até o farol você pode ajudar a comunidade local comprando os lindos artesanatos que eles produzem ou mesmo tomar um sorvete artesanal feito com as frutas locais. E as crianças nativas, são uma atração à parte!


A terceira parada e o local onde o rio encontra com a mar é no povoado de Caburé e na minha opinião o mais bem estruturado, mas não considero o melhor. Lá na foz do rio Preguiça você encontra umas poucas pousadas, talvez uns cinco restaurantes mas ainda tudo muito precário.


Caburé é uma das opções para quem quer pernoitar durante o passeio pelo rio Preguiça. Por ali alugar um quadricíclo é uma aventura e tanto! Confesso que achei tudo muito caro nos passeios em torno do rio Preguiças. Para comer você vai desembolsar uns 100 reais por casal. Para dormir nada por menos de 150 reais, preço que até os gringos acham caro.

Em Caburé que saem as 4X4 para quem quer conhecer o Delta do Parnaíba. O trecho inclui percurso de 30 km pela praia e mais 150 km de asfalto até Parnaíba. De lá lanchas rápidas te levam até o Delta para observar a revoado dos Guarás, uma ave rara de plumagem vermelho vivo. Não fizemos esse trecho mas ouvi relatos que é muito lindo.

A última parada e onde deixei meu coração - e preciso ir buscar - foi em Atins. Acredito que muito dessa minha boa impressão foi porque ficamos hospedados em um paraíso chamado Rancho do Buna. Que hotelzinho simpático e acolhedor! Aqui é um lugar que você pode passar duas noites fazendo absolutamente nada.

Começando pela simpatia dos funcionários, o hotel parece mais uma grande casa com chalés em volta e com animais soltos por todos os lados: gatos manhosos, cachorros, pavão, pássaros que parecem que moram por ali mesmo...uma piscina ao lado do casarão também é uma boa pedida depois de uma caminhada pelas dunas dos lençóis.


O chalé é grande e bem cuidado. A cama é boa, o banheiro bacana e o preço da diária gira em torno de 150 reais. O café da manhã é delicioso, com vários sucos de frutas da região, tapioca de queijo feito na hora, tudo muito saboroso.


Ali mesmo no Rancho eles oferecem um tour para conhecer uma parte dos Lençóis e foi o que fizemos perto do pôr do sol. Em um grupo de nove turistas saímos em uma 4x4 perto das cinco da tarde e fomos até bem próximo do mar contornando as dunas.


Ali o motorista nos deixou em um pedaço onde as 4x4 não podem mais avançar e por ali fomos caminhando por uma hora entre as dunas brancas e admirando aquele incrível pôr do sol.


Para mim, um dos momentos mais incríveis da viagem e são eles que marcam para sempre minha memória afetiva.


Na volta, fomos provar o famoso camarão da Luzia, no Canto de Atins, que é uma experiência deliciosa. Esse restaurante ficou famoso depois que Ricardo Freire, do Viaje na Viagem declarou que foi o melhor camarão que ele comeu na vida. Só a Luzia já vale a visita: uma simpatia de pessoa, adora conversar e contar sua história de vida. O camarão é realmente muito bom e vale a pena conhecer o restaurante.

De volta ao hotel, um tchibum na piscina com a lua cheia iluminando a noite, uma caipirinha de maracujá para agradecer a companhia maravilhosa da Nancy em mais uma viagem inesquecível.

Na manhã seguinte, lancha de volta até Barreirinhas onde pegamos um van às quatro da tarde de volta à São Luis para passarmos nossa última noite no Maranhão antes de voltar para o Rio.




A beleza natural dessa região é de se emocionar!
Fiquei com muita vontade de poder voltar uma outra vez.

Viva o Maranhão e sua natureza!


Lençóis Maranhenses - aventura por uma imensidão de paz - Parte I

Lençóis Maranhenses - aventura por uma imensidão de paz - Parte II





2 comentários:

  1. Bom dia. Gostei da ideia de ficar em Atins uma noite. Estarei por 5 dias em BArreirinhas e quero tentar uma noite em Atins. Mas estou com dificuldades de encontrar o transporte ida e volta. Td que encontrei foi a opção de lancha por R$ 400 (o que é mto para mim!!!)
    O que vc me sugere? Obrigada.

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  2. Ola! Em barreirinhas tem o barco coletivo dos locais que precisa ver os horarios que eles operam, mas me lembro que era de manhã perto das 8:30. É bem baratinho ( se não me engano 10 reais ) mas demora pra chegar porque vai parando nas cidadezinhas. Essa é a opção. Bjo

    Candice Bittencourt

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se quiser mais informações, por favor mande um email para
vidaeumaviagem@gmail.com
obrigada