15/09/2013

Utah, Arizona e Nevada - o paraíso mora ao lado, na terra dos índios navajos - PARTE II

Clique aqui para ler a PARTE I .

Já era fim de tarde quando avistamos o grande outdoor com as letras "Welcome to Utah" e mais vinte minutos de estrada as placas já apontavam para um dos cenários mais lindos da região: o impressionante e inconfundível Monument Valley.


Preservado pelos índios navajos, o visual do parque é o resultado (de mais de 50 milhões de anos) das forças naturais do vento e da água que foram cortando e descascando esse grande planalto que se transformou em uma das mais marcantes e definitivas paisagens do oeste americano.

É normal ter a sensação de que você já passou por ali (como aconteceu comigo) porque a quantidade de filmes e clipes de bandas que já foram rodados nessas paisagens faz um disparo mental direto ao passado, te deixando literalmente de boca aberta. É um nocaute de tanta beleza.





O que fazer em Monument Valley


Já estive duas vezes no parque, a primeira em 2008 que resumiu em uma breve passagem pelo clássico mirante onde fica o restaurante, a lojinha de souvenir e onde todos os turistas se encontram.  Ficamos por ali umas três horas admirando o cenário e partimos. Lembro que na época estavam terminando um hotel ao lado do restaurante e pensei como seria lindo passar a noite por ali para ver o nascer do sol.

Nessa segunda visita meu pensamento virou realidade: nos hospedamos no hotel Monument Valley View . Com 95 quartos harmoniosamente decorados no clima "indígena" e distribuídos em três andares, o espetáculo fica por conta da vista da sacada: a vontade é de estender uma rede e dormir por ali mesmo admirando a paisagem e ouvindo o silêncio da natureza.


A diária varia entre 140 a 200 dólares dependendo da disponibilidade e da estação do ano. O que fizemos de diferente nessa segunda passagem pelo Monument Valley foi explorar todo o parque por uma estradinha de chão empoeirada e irregular.


A paisagem do mirante é o grande cartão postal do parque e espetacular o suficiente, mas percorrer essas 17 milhas é adentrar o coração do Monument Valley. Pela estradinha você pode parar o carro, chegar bem perto das gigantescas e milenares rochas, admirar a vegetação do deserto e se der vontade, ainda tem uns pocotós que os índios alugam para uma cavalgada. Se encontrar o fantasma do John Wayne, manda um abraço.



Depois de passar a manhã conhecendo o interior do parque, almoçamos no honesto restaurante buffet do hotel ( U$23 por pessoa e servido à vontade) e pegamos a estrada US 163 com destino a Bluff.

E aí começa uma surra de beleza estrada afora:  prepare-se para um dos momentos mais alucinantes da viagem: aqui você vai dar de cara com o cenário que serviu de capa para o filme Telma & Louise  (a milha 13 da US 163).


A US 163 é a mesma que te leva para o fantástico Mexican Hat que fica uns 20 minutos da mile 13. Só para ter uma idéia, do Monument Valley até o Mexican Hat são 23 milhas ( uns 40 quilômetros) e até Bluff, mais umas 22 milhas. Nada muito longe...


É nessa mesma estrada (depois de passar pelo Mexican Hat) que você vai ver uma placa simples de madeira escrita "Valley of the Gods". Não ignore essa indicação porque alí tem um tesouro escondido da natureza.

Completamente desabitado, sem o ser humano na volta, apenas umas vaquinhas pastando, esse é o lugar ideal para se sentir longe, bem longe da civilização...a sensação é que você está em outro planeta. A estrada de chão de 17 km percorre morros imponentes, pináculos gigantescos, árvores isoladas, sem nenhuma instalação feita pelo homem.


É a natureza no seu habitat respirando tranquilamente....aproveite esse momento cada vez mais raro nos dias de hoje.


Esse dia foi tão perfeito que parecia até mentira. Depois do dia todo dirigindo, fotografando, assistindo o pôr do sol no silêncio do deserto você só pensa em uma comida, uma cervejinha gelada e uma cama para descansar.

De volta a US 163 sentido Bluff, em menos de meia hora e quase no meio do nada, eis que surge uma casinha estilo faroeste bem charmosa do lado direito da estrada escrito: Cottonwood Steakhouse .




Não deixe de apreciar a especialidade da casa: o suculento T-Bone acompanhado de uma cerveja estupidamente gelada.

Arrumamos um hotel simpático (U$ 60) chamado Kokopelli Inn e que ficava quase ao lado do restaurante, na pequena cidade Bluff e por ali descansamos até o dia seguinte.


O quinto dia da viagem começou cedo com um cafézão e pé na estrada por mais 160 km até chegar na charmosa e não tão pequena Moab, a cidade que abriga todos os turistas que visitam umas mais lindas paisagens naturais dos Estados Unidos.

O turismo de Moab gira em torno de cenários deslumbrantes  que consiste basicamente em dois grandes parques nacionais: Arches , o Canyonlands e as águas frias do enorme rio Colorado. No centrinho da cidade você vê agências de turismo oferecendo tanto esporte naútico (rafting, caiaque) quanto o terrestre (mountain bike, caminhadas). Se você ama esportes radicais ou mesmo praticar esportes na natureza, programe-se para ficar pelo menos três noites em Moab.


Hotel é o que não falta, mas se você planejar suas férias no verão (entre junho e final de agosto) eu aconselho a reservar com antecedência sua estadia. A cidade lota. Nós chegamos em Moab no começo de abril, numa sexta-feira, perto do meio-dia,  e tivemos um pouco de dificuldade de achar um hotel, porque os preços estavam bem salgados (em torno de 200 dólares). Decidimos ficar no Redstone Inn que são casinhas de madeiras bem simpáticas com diárias de 70 dólares. O hotel é limpo e bem localizado, bem na Main st, onde tudo acontece.

Deixamos as malas no hotel e partimos para conhecer o Arches National Park. Do centro de Moab até a entrada do parque são oito quilômetros e dá uns 15 minutos de carro.


O parque (com mais de 76 mil hectares) é conhecido por ter a maior concentração de arcos naturais de arenito do mundo. São mais de 2 mil arcos e claro que tem os famosos, aqueles que todos querem ver: Delicate Arch (foto acima), Balanced Rock, Torre Arch, Double Arch e o Landscape Arch.




A minha sugestão se você tem pouco tempo (como nós) é pegar a Drive Scenic toda asfaltada e que te leva para todos os pontos de visita dentro do parque. Algumas paradas oferecem trilhas bem tranquilas com meia hora de caminhada. Não esqueça de levar água e uma maçã (ou uma barrinha de cereal).


O visual é impressionante.


No fim de tarde o céu começou a fechar e uma enorme chuva estava a caminho...voltamos para o hotel, tomamos um banho e mais uma boa surpresa na hora do jantar e que quero indicar aqui: o fantástico Moab Grill que tem um cardápio vasto, para todos os paladares. Eu provei o New York Strip, acompanhado da cerveja local " Golden Spike" que era uma delícia.


O último dia da viagem foi dedicado praticamente todo na estrada, percorrendo 750 km de Moab até Vegas para pegar um vôo de volta a San Francisco.

Dicas

Percorrer por uma semana a imensidão de terra dos índios navajos entre os estados de Nevada, Arizona e Utah é um grande presente para o coração e para a alma. Difícil transmitir em palavras tamanha beleza...

Se você gosta pegar estrada, se perder por cidades fantasmas, passear por desertos, cânions, vulcões, parques nacionais, ver e sentir de perto a natureza, ouvir o silêncio e admirar o pôr do sol, você precisa conhecer a maior reserva nativa norte americana.

São paisagens imponentes, surreais, daquelas de tirar o fôlego e perder a fala. A natureza vive forte e em paz na terra dos índios navajos.

Dedico esse texto ao meu amor Daniel e ao amigo Erik von Poser que estiveram juntos nessa que foi uma das mais lindas road trip da minha vida. Hey Ho ♥


E segue aqui o vídeo que resultou nessa viagem! Até a próxima.

1000 miles from daniel azulai bittencourt on Vimeo.

Um comentário:

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obrigada